04/01/2019

Cinco medidas para despoluir um rio

Centros urbanos às margens de rios buscam soluções para crescer sem prejudicar a qualidade da água

Dono da maior reserva de água doce do planeta, o Brasil tem um potencial hídrico invejável – e pouco aproveitado. Além de o modal ter uma parcela irrisória no transporte de mercadorias e pessoas pelo país, muitos de seus rios estão hoje em situações indevidas para uso devido à poluição. Presente na maioria de nossas capitais e grandes metrópoles, o problema é um desafio cada vez mais perto de ser vencido.

Os poluentes têm duas origens: as cargas pontuais e as difusas. No primeiro caso, as impurezas são despejadas a partir de lançamentos, como esgotos sanitários ou efluentes industriais. Fáceis de ser identificados, estão relacionados à falta de tratamento adequado e de uma rede de saneamento básico. Já na segunda situação, o rastreamento se torna mais complicado por não haver um ponto de despejo específico. A sujeira vem de fontes esparsas, como tubulações de drenagem, bueiros e lixos, e é transportada até os leitos por meio das chuvas. Para reverter o cenário, planejamento e altos investimentos em infraestruturas estão entre as principais políticas necessárias. Listamos cinco medidas para reduzirem a poluição nos rios que cortam as grandes cidades.

> Tratamento de esgotos: no país, mais de 100 milhões de pessoas vivem sem o acesso à coleta de esgoto, segundo dados do Instituto Trata Brasil. Nas grandes cidades, a falta de um sistema organizado faz com que o despejo seja feito diretamente nos rios, sem o devido tratamento. O complexo processo envolve a retirada de materiais sólidos, decomposição de materiais orgânicos e retirada do lodo. Declarado impróprio para consumo, o Rio Tâmisa, na Inglaterra, recebeu inúmeras estações de tratamento entre as décadas de 1960 e 1970 tornando-se hoje um dos mais bem-sucedidos exemplos da recuperação de águas em áreas urbanas.

> Dragagem: enquanto o tratamento de esgotos se responsabiliza pelas águas a serem despejadas no rio, a dragagem cuida daquelas que já estão poluídas. A estratégia utiliza uma embarcação com bombas de sucção que retiram camadas de sujeira depositadas no fundo dos leitos. O material, após ser filtrado e recolhido, é transferido por meio de tubulações até um local de armazenagem fora da margem.

> Aeração: a falta de oxigênio no rio leva à morte de várias espécies de animais e vegetais, fundamentais para o equilíbrio das águas. A tecnologia injeta doses de O2 ao longo do curso hídrico, sob a forma de microbolhas, fazendo com que os fragmentos de sujeira existentes flutuem e sejam retirados mais facilmente.

> Fiscalização: a falta de monitoramento adequado leva muitas residências e empresas a criar despejos clandestinos. Segundo pesquisas do IBGE, até quatro anos atrás, 60% das cidades não fiscalizavam seus sistemas de água e esgoto. A falta de conscientização da população também aumenta ações irregulares nos rios. Para conter o problema, cidades como Paris e Londres têm realizado mapeamentos regulares da região hídrica, incluindo grupos de patrulha e câmeras de segurança.

> Projeto urbano: a despoluição não trará mudanças significativas se as cidades não forem de fato integradas a seus rios. Projetos urbanísticos e paisagísticos levam infraestrutura para as margens e aproximam a população das redes hídricas, mudando os hábitos de seus usuários. Em Madrid, na Espanha, seis quilômetros do Rio Manzanares foram transformados em um parque público, que inclui um centro cultural e espaços para lazer e esportes. A iniciativa trouxe melhorias significativas para o ecossistema local e valorizou as áreas ao redor, tornando-se um relevante ponto turístico da região.