03/01/2019

Robôs mudam o jeito de construir e transformam a engenharia civil

Métodos construtivos mecanizados ganham adeptos por ser mais eficientes que as técnicas tradicionais

Velhos conhecidos da produção industrial, os robôs recentemente saíram das fábricas e encontraram no canteiro de obras um novo espaço de atuação. Mais rápida, precisa e econômica que as mãos humanas, a tecnologia tem sido considerada a nova promessa dos ramos da engenharia civil e da arquitetura e vem ganhando cada vez mais popularidade, com alguns relevantes nomes da indústria criativa, já adotando a novidade em seus projetos. 

É o caso do escritório britânico Zaha Hadid Architects, que revelou neste ano seu plano para construir um complexo educativo na província de Jiangxi, na China. O campus conta com salas de aula, dormitórios e espaços multifuncionais, compondo uma extensa rede de edifícios conectados por coberturas de abóbadas parabólicas. A fim de reduzir o tempo de construção, o escritório pretende utilizar uma série de robôs para criar os moldes dos telhados, feitos a partir do corte de espuma a altas temperaturas. As máquinas são instaladas no próprio local da obra, também diminuindo os custos com o transporte das peças.

Edificações também estão sendo construídas a partir da tecnologia 3D. Na Holanda, robôs imprimiram uma ponte em aço para pedestres, com 12 metros de comprimento e quatro de largura. Feita a partir de um braço robótico equipado com bocal, por onde sai o material metálico, a peça foi construída em camadas e tem a vantagem de não possuir nenhuma junção ou encaixes. Testes ainda estão sendo realizados e a previsão é de que a instalação aconteça até o fim do ano, em Amsterdã. 

A variedade de materiais construtivos é um ponto positivo do uso de robôs. Pesquisadores do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique (ETHZ), na Suíça, desenvolveram um método construtivo que utiliza a técnica mecanizada para construir estruturas modulares em madeira. O Spatial Timber Assemblies, como foi apelidado, controla as máquinas por meio de algoritmos computadorizados e recalcula o projeto caso sejam feitas alterações durante a montagem. Os robôs serram, instalam e perfuram as vigas, tornando o trabalho humano necessário apenas para parafusar as peças. 

Seis módulos estão sendo desenvolvidos para o protótipo habitacional DFAB House, criado pela ETHZ, para ser a primeira casa do mundo feita inteiramente com técnicas construtivas digitais. A equipe utilizou, além das estruturas de madeira, um robô de dois metros de altura para imprimir malhas de aço usadas como reforço nas paredes de concreto, também produzidas em 3D. Iniciada em 2017, a residência de 300 m² planeja ser finalizada ainda este ano e quer ser a porta de entrada para uma nova forma de se construir no país – e quem sabe um dia no mundo todo.