21/12/2018

Por dentro do ambicioso cinturão chinês

Em um projeto gigantesco, a China planeja uma malha intercontinental conectando toda sua rede de transporte.

A nova Rota da Seda chinesa é um dos maiores projetos de infraestrutura já colocados em prática no mundo. Chamada de Belt and Road Initiative (BRI), ela prevê uma megaconexão de portos, ferrovias, rodovias e aeroportos para alavancar negócios da China com Ásia, Europa, Oriente Médio e África. É considerado o mais ambicioso programa econômico e diplomático desde a fundação da República Popular (1949), segundo documento divulgado pela consultoria McKinsey & Company. Atingiria, no mundo, 65% da população, cerca de um terço do Produto Interno Bruto (PIB) e um quarto de todos os bens e serviços movidos pelos cinco continentes – algo capaz de transformar o comércio mundial. 

A iniciativa é dividida em duas partes principais. Uma chamada de “Cinturão Econômico” (Belt), formada por uma série de corredores terrestres que ligam a China à Europa, via Ásia Central e Oriente Médio. A outra é a “Rota da Seda do Século XXI” (Road), uma rota marítima que liga a costa sul da China ao leste da África e ao Mediterrâneo. 

O plano de criar uma zona internacional composta por 65 países com epicentro em Pequim, a capital chinesa, foi apresentado entre as melhores ideias do Global Infrastructure Initiative Summit 2017, realizado pela McKinsey & Company, em Cingapura.

Como o maior exportador mundial e a segunda maior fonte de investimento estrangeiro direto, a China tem muito a ganhar com o incentivo dos mercados mundiais a permanecerem abertos. Uma opção é aumentar seus gastos em infraestrutura no exterior. 

“Quando se fala com um empresário que tem interesse em investir fora da China, ou com uma entidade do governo, a BRI é o pano de fundo em todos estes diálogos”, afirmou Felipe Küster, gestor de projetos e relações internacionais do escritório Küster Machado Advogados Associados, que fincou pé em Pequim, após o anúncio da Belt and Road Initiative, com a intenção de intermediar negócios de clientes em território chinês, bem como de identificar sinergias entre a China e o Brasil. Para ele, a implantação da Rota da Seda moderna é um programa da China para liderar o mapa global. “Não é questão de como, mas de quando”, disse.