04/01/2019

Ferrogrão vai escoar produção do Mato Grosso pelo Pará

Linha ferroviária facilitará transporte de safras do Centro-Oeste 

Os benefícios de uma malha ferroviária consolidada já foram percebidos pelo governo federal, que investe cada vez mais no setor. Um dos projetos em desenvolvimento é a Ferrovia EF-170, também conhecida como Ferrogrão, que quer tornar o escoamento dos produtos do Centro-Oeste mais rápido, barato e eficiente para a exportação.

Com 933 quilômetros de malha, a nova estrada de ferro pretende ligar a cidade de Sinop, polo da produção de grãos do Mato Grosso, até o Porto de Miritituba, no Pará. De lá, a carga teria acesso ao sistema hidroviário, cruzando o Amazonas pelo Rio Tapajós até desembocar no Atlântico. A rota irá favorecer, além de produtos como soja e milho, fertilizantes, açúcar, etanol e derivados do petróleo. 

Atualmente, o transporte é feito pela Rodovia BR-163, que realiza trajeto semelhante. O objetivo da Ferrogrão é aliviar as condições do trânsito e driblar os problemas. Buracos, lama e acidentes são alguns dos desafios enfrentados pelos caminhoneiros, em especial nos 100 quilômetros sem asfalto do trecho paranaense. Em 2017, motoristas passaram até 20 dias atolados na estrada, o que trouxe prejuízos causados por atrasos, além de danos aos veículos. O número de trabalhadores dispostos a fazer a viagem também vem caindo, o que aumenta o valor dos fretes. Como resultado, hoje, mais de 70% da safra da região é transportada até os portos de Santos, em São Paulo, e o de Paranaguá, no Paraná, a mais de dois mil quilômetros de distância.

O projeto ferroviário diminuiria os gastos do sistema logístico e aumentaria a velocidade de transporte, favorecendo a competitividade dos produtos no mercado externo. A previsão é a de que o primeiro ano de operação alcance 13 milhões de toneladas de carga escoadas, chegando a 42 milhões em 2050. Segundo estimativas, o trajeto poderá ter até 1.142 quilômetros de extensão, com algumas ampliações previstas, entre elas uma conexão com a futura Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico), que ligará os estados de Roraima a Goiás.
A concessão da Ferrogrão ficará a cargo de uma única empresa, e o leilão será válido por 65 anos. Com custos que chegam a R$ 12,6 bilhões, o governo já tem tomado medidas para tornar a infraestrutura viável. O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) dará de 25 a 30 anos para quitação do empréstimo, antes previsto para 20 anos. Investidores poderão começar a pagar o financiamento em um prazo de sete a oito anos, em vez dos cinco anteriormente estipulados. As obras devem começar em 2020, e espera-se que estejam concluídas até 2025, a tempo da colheita, marcando uma nova safra de bons negócios para o país.