14/12/2018

Energia Solar a favor da Mobilidade

Brasil faz parte do grupo de países que aposta no uso de painéis fotovoltaicos para gerar eletricidade para estradas e ciclovias, unindo-se a China, França e Holanda.

Em um mundo onde a demanda por energia deve crescer de 20% a 35% nos próximos 15 anos, segundo dados da ONG Comissão Global sobre Economia e Clima, grandes esforços serão necessários para que o crescimento ocorra de maneira sustentável. Atualmente, a produção e o uso de energia são responsáveis ​​por dois terços das emissões globais. E, embora as fontes de eletricidade permaneçam fora do escopo de controle das empresas de transporte público, o setor está ampliando sua participação nesse tipo de iniciativa. Nesse contexto, o uso da energia solar voltada à infraestrutura de transporte parece irreversível. Ela já representa 48% de todo o investimento mundial em energia limpa, segundo os números anuais da Bloomberg New Energy Finance (BNEF). A companhia informa ainda que os investimentos mundiais no segmento somaram US$ 160,8 bilhões em 2017, aumento de 18% em relação ao ano anterior. Dados da BNEF indicam que, no Brasil, o investimento total no ano passado foi de US$ 6,2 bilhões, alta de 10% em relação a 2016.

Um dos principais projetos do país é o Arco Metropolitano do Rio de Janeiro, criado para desafogar o trânsito da Avenida Brasil e da Rodovia Presidente Dutra. A via, que tem 72 quilômetros de extensão, recebeu painéis de captação de energia conectados a lâmpadas de LED. Para cobrir todo o trajeto, foram necessários 4.310 postes equipados com as placas, em um investimento de cerca de R$ 97 milhões.

Já a China construiu uma via expressa em Jihan, no nordeste do país, em que a eletricidade é gerada pela luz do sol. A estrada tem um quilômetro de extensão e piso revestido por três camadas. Na parte superior, foi instalado um tipo de concreto que permite a passagem de luminosidade. Na parte intermediária, foram alocados painéis fotovoltaicos e, por baixo de tudo, uma camada de isolamento do solo. No total são quase 6.000 metros quadrados revestidos.

Nos mesmos moldes, a França criou uma estrada equipada com painéis solares na pequena cidade de Tourouvre-au-Perche, na Normandia. Na rota de um quilômetro de extensão, há 2.800 metros quadrados de painéis geradores de eletricidade. O custo da obra foi de 5 milhões de euros e o objetivo é que ela gere energia o suficiente para alimentar o sistema de iluminação pública da cidade, onde vivem 3.400 habitantes.

Em 2014, os holandeses já haviam criado uma ciclovia movida a energia solar na cidade de Krommenie. O projeto teve seu custo-benefício questionado, uma vez que gerou 3.000 kW/h, o suficiente para abastecer uma residência familiar durante um ano, mas custou um valor que pagaria por 520.000kW/h. Enquanto empresas e governos tentam alinhar investimentos e retornos, outros projetos vão sendo postos em prática no intuito de aproveitar cada vez mais essa fonte energética natural. Confira abaixo alguns deles.