21/12/2018

Da estratégia à execução: O caminho para construir uma cidade inteligente

O crescimento vertiginoso nas megalópoles oferece oportunidades extraordinárias nos campos da inovação e desenvolvimento social. Mas as cidades do futuro só serão viáveis com iniciativas bem-sucedidas e integradas em setores como mobilidade urbana, comunicações, logística e sustentabilidade.

Há pouco mais de dez anos, a humanidade atingiu um marco significativo: pela primeira vez na história, a população urbana superou a rural. Segundo uma estimativa do Banco Mundial, as cidades já concentram mais de 80% do PIB global. Essa notável transformação apresenta oportunidades, mas também desafios monumentais aos setores público e privado, já que a expansão das cidades exige um fluxo constante de investimentos em infraestrutura.

O conceito de “cidade inteligente” é uma resposta a esse contexto tão desafiador. A partir dele, surgem ideias e projetos que procuram empregar a tecnologia para aumentar a eficiência dos serviços urbanos e, com isso, melhorar a qualidade de vida dos habitantes de uma cidade. Algumas iniciativas nesse sentido são muito simples e custam relativamente pouco; outras necessitam de um planejamento minucioso e de uma execução mais trabalhosa. Elas vão desde os sistemas de bicicletas públicas e carros elétricos até os espaços de coworking e incentivo às startups, passando pelas redes inteligentes de iluminação e sinalização, big data, modernização administrativa e monitoramento ambiental.

O cardápio das iniciativas que usam a tecnologia e a inovação em benefício das pessoas é interminável, mas a chave para a criação de uma cidade inteligente é a adoção dessa forma de pensar em todas as políticas públicas e parcerias com a iniciativa privada. A integração completa de dados e sistemas é o que deve fazer a cidade do futuro funcionar de forma realmente inteligente.

No Brasil, a população urbana já é maior que a rural há algumas décadas, mas as grandes cidades do país seguem enfrentando desafios históricos em áreas como habitação, transporte, segurança e saúde. Essas condições tornam a criação de uma cidade inteligente ainda mais complexa. De acordo com um estudo recente da FGV, intitulado “Smart Cities: Transformação digital de cidades”, sobre cidades inteligentes, apenas 21% dos habitantes de áreas urbanas do país consideram a cidade em que vivem “inteligente” de alguma forma. O estudo revela também um forte desejo por parte do cidadão brasileiro de ver a tecnologia sendo empregada não apenas para melhorar seu cotidiano, mas também para aumentar a transparência da gestão pública e ampliar o envolvimento das pessoas nos assuntos de suas cidades.

Por causa das diferenças econômicas, culturais e geográficas, cada região brasileira tem suas próprias barreiras a superar no caminho rumo à construção das cidades inteligentes. “Não há uma receita pronta, porque cada cidade tem características únicas”, explica Maria Alexandra Cunha, professora da FGV e uma das coordenadoras do estudo. “A tecnologia é capaz de alavancar a qualidade de vida em qualquer lugar, desde que ela seja aplicada para explorar o que uma cidade tem de melhor e ajudando a lidar com seus principais desafios.”

Apesar de não existir um roteiro pronto, os especialistas envolvidos no estudo da FGV indicam que há seis passos fundamentais e indispensáveis a qualquer cidade brasileira para planejar seu futuro de acordo com o conceito de “smart city”. Eles indicam a direção certa a caminho da construção de áreas urbanas eficientes, funcionais e inovadoras. A seguir, os elementos que devem guiar a criação de uma cidade inteligente.