27/12/2018

Cinco maneiras como a tecnologia digital está mudando a infraestrutura

Como empresas e governos têm obtidos melhores performances a partir de novos sistemas de produção e manutenção de instalações.


Enquanto novos serviços baseados em tecnologia se expandem, permitindo soluções de gerenciamento à distância e cruzamento de dados, nem tudo são flores na vida das cidades. O surgimento dessas facilidades, que em muito contribuem para a melhoria das dinâmicas urbanas, coincide com um problema de difícil solução: o envelhecimento da infraestrutura instalada. Aos poucos, governos e empresas começam a apostar no uso das novas tecnologias como forma de modernizar instalações e torná-las mais eficientes. 

1) Sistemas de comunicação nos transportes
Melbourne, uma das principais cidades da Austrália, conseguiu aumentar a frequência dos trens de seu sistema de metrô ao utilizar um sistema de comunicação que informa a localização precisa dos carros. Trata-se do Communication Based Train Control (CBTC), ou Controle de Trens Baseado em Comunicação. Esses sistemas integram equipamentos de bordo com equipamentos terrestres, através da comunicação sem fio. Assim, os embarques se tornam mais ágeis e seguros, mesmo nos momentos de pico em que há um grande número de passageiros. Também permitem dispensar uma série de instalações ao longo do trajeto usadas justamente para indicar a posição dos trens. Outra vantagem é viabilizar o uso de trens com um único motorista ou mesmo não tripulados.  
 

2) Projetos tridimensionais
A novidade aqui é a facilidade de projetar diretamente em 3D, em vez de criar primeiros modelos em duas dimensões para em seguida convertê-los em tridimensionais. É o Building Information Modeling (BIM), ou Modelagem de Informações de Construção. Sua lógica se assemelha à das maquetes, que vão sendo construídas eletronicamente, permitindo já testar a viabilidade das soluções imaginadas. Segundo levantamento da consultoria KPMG, 67% dos usuários de BIM gastam menos tempo projetando e 40% afirmam economizar graças a esta tecnologia. Na Inglaterra, um complexo sistema de rodovias desenvolvido para atender às regiões leste, sudeste e noroeste do país, está sendo inteiramente estruturado em BIM. O desenvolvedor é o escritório de engenharia americano Jacobs, responsável por projetar as obras de engenharia civil e tecnologia de tráfego, pesquisas, engajamento de partes interessadas, serviços ambientais, modelagem de tráfego e design das estradas.


3) Drones com sensores
Uma maneira bastante prática de obter dados para avaliação e manutenção de estruturas é o uso de objetos voadores não tripulados, equipados com sensores e câmeras e acesso à internet, os drones. De acordo com a consultoria Accenture, em seu estudo “Uma abordagem de negócios para o uso de drones em engenharia e indústrias da construção civil”, de 2016, essas máquinas oferecem três principais vantagens: otimizam custos, reduzem a exposição de trabalhadores e permitem decisões mais acuradas para melhorar a qualidade dos serviços oferecidos. Os drones podem monitorar o espaço aéreo, fazer cálculos volumétricos e de densidade, controlar o desempenho de instalações elétricas, mapear grandes áreas em imagens tridimensionais e até medir a emissão de poluentes. Na França, os drones são fundamentais para manter o mais alto viaduto do país (e um dos mais altos do mundo) em ótimo estado de conservação. É o viaduto de Millau, em estrutura estaiada, projetada pelo renomado arquiteto inglês, Norman Foster, a uma altura de 343 metros do solo. Com as máquinas voadoras, sua manutenção pode ser feita regularmente sem que nenhum trabalhador seja submetido a riscos.

4) GPS para melhorar o fluxo
A grande vantagem oferecida por serviços de transporte por aplicativo foi otimizar o tempo do usuário, melhorando a experiência de uso da infraestrutura viária já existente. Motoristas equipados com smartphones conseguem receber e atender a demandas em tempo real, graças à acuidade dos sistemas de posicionamento global por satélite, ou GPS na sigla em inglês. Lançados pela primeira vez em 1973, esses satélites enviam à Terra informações que permitem saber a localização precisa de objetos e pessoas. Segundo o relatório de engenharia da Uber, lançado em abril deste ano, “enquanto o GPS funciona bem sob o céu limpo, suas estimativas de localização podem ser altamente imprecisas (com uma margem de erro de 50 metros ou mais) quando mais precisamos: em áreas urbanas densamente povoadas e altamente construídas, onde muitos usuários estão localizados”. Para contornar o problema, a empresa tem desenvolvido softwares que, com base em probabilidades, conseguem melhorar os dados enviados pelos satélites e prestar um serviço de maior qualidade para seus clientes.

5) Impressão em 3D
Conforme avança o uso das peças e objetos criados por máquinas que imprimem em três dimensões, a indústria fica mais perto de contar com uma cadeia produtiva cada vez mais curta e barata. Facilitar o acesso a peças e reduzir os custos das mesmas é fundamental para garantir a instalação e manutenção de sistemas de infraestrutura. Empresas do setor de energia, por exemplo, utilizam as impressoras 3D para criar protótipos que podem ser testados rapidamente antes de entrarem em produção. A GE Óleo e Gás, subsidiária da General Electric, conseguiu reduzir de 12 semanas para 12 horas o intervalo entre a concepção e a criação de protótipos voltados a melhorar a performance e o alcance de suas instalações.