27/12/2018

Blockchain e a transformação da infraestrutura

Como o sistema que revolucionou as transações financeiras na internet pode beneficiar projetos urbanos.

É difícil não ter ouvido falar sobre o bitcoin, o dinheiro virtual mais negociado no mundo. Com cotações que chegaram a 20 mil dólares no fim do ano passado, a moeda caiu no gosto dos brasileiros. Hoje o país já conta com mais de 1,4 milhões de investidores, o dobro de cadastrados na Bolsa de Valores. Especialistas alertam para os perigos do negócio, considerado instável e especulativo, mas o interesse de empresas e startups no assunto só cresce - e vai muito além da criptomoeda. 

O mercado encontrou na blockchain, tecnologia por trás de toda essa economia digital, um potencial maior e mais seguro de investimento. Utilizado para facilitar, regular e registrar as transações realizadas com bitcoins, funcionando como um grande arquivo de registros criptografado, o sistema pode mudar a forma como distribuímos outras mercadorias. Commodities como água, combustíveis e energia elétrica, por exemplo, conseguiriam circular de forma mais rápida, segura e transparente. O impacto é relevante justamente para projetos de infraestrutura, e alguns países já deram o primeiro passo ao usar a tecnologia a seu favor.

Na Austrália, o Programa Cidades e Subúrbios Inteligentes pesquisa como a blockchain pode repensar a distribuição de água e eletricidade nas cidades. O objetivo é que o sistema consiga orquestrar e interconectar as instalações de forma mais eficiente e com custos menores. No mercado brasileiro, o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) pretende testar a tecnologia em alguns de seus projetos de financiamento. Setores do transporte também já demonstraram interesse. Empresas de remessas, como a norte-americana Fedex, exploram novas formas de usar a rede digital para rastrear mercadorias, gerenciar logísticas e otimizar o tempo de entrega, diminuindo consideravelmente o custo dos deslocamentos. Se os resultados se mostrarem positivos, a iniciativa pode radicalizar a forma como pessoas e cargas são transportadas.

Difícil de rastrear e sem definição sobre a incidência de impostos, o bitcoin ainda está longe de ser utilizado por governos ou instituições financeiras, que ainda buscam formas de regular a moeda digital. Entre as principais restrições, estão propostas para taxar rendimentos e fornecer informações dos investidores. A rede virtual é tida por muitos como o futuro dos sistemas de transação e gerenciamento de mercadorias, prometendo uma revolução maior do que o boom causado pelos aplicativos.